VILA MULHER entrevista MEIRY KAMIA: Como enxergar o lado bom da demissão?

Como enxergar o lado bom da demissão?

Foto: Steve Hix/Somos Images/Corbis

Não importa se é esperada ou inesperada. Uma demissão mexe com qualquer profissional.

Sair da rotina de maneira brusca – não fazer mais aquele determinado percurso, não se relacionar com aquele grupo de pessoas, não realizar atividades x e y e não almoçar naquele restaurante – é o mesmo que nos tirar da zona de conforto.

Porém, em certos casos, uma mudança como essa é um empurrão para repensarmos nossos valores profissionais e pessoais. Segundo Meiry Kamia psicóloga, consultora organizacional e Diretora da Meiry Kamia – Consultoria, Treinamento e Desenvolvimento de Pessoas, todo fechamento de ciclo exige reflexão num primeiro momento.

Ela explica que o funcionário deve pensar sobre a experiência proporcionada pela empresa em sua vida e rever suas metas (como gostaria que sua vida estivesse daqui a cinco ou 10 anos e se está no caminho certo). “Esse é o momento para refletir se as escolhas estão aproximando ou distanciando a pessoa dos seus sonhos mais importantes. A partir daí deve questionar os erros e acertos, o aprendizado que obteve com o tempo de trabalho na empresa, quais habilidades foram desenvolvidas e quais ainda precisam de maiores cuidados”, diz Meiry.

Quando o funcionário sente que não tem mais como crescer dentro da empresa, que o trabalho era um fardo, a ponto de afetar a saúde psíquica e física, a demissão é bem-vinda. Isso porque, muitas vezes, a pessoa não tem coragem de pedir demissão e espera que a empresa o faça. Por outro lado quando o desligamento é inesperado, Meiry compara o momento ao término de um relacionamento amoroso. Há o choque, a raiva. Assim, o desafio nesse momento é ter cabeça fria para analisar os motivos pelos quais a empresa tomou essa decisão, quais foram os sinais que ela passou e você não percebeu.

Para entender melhor a situação nada como um feedback por parte da organização e uma boa dose de humildade por parte do funcionário. “É necessário reconhecer que não somos perfeitos, que ainda temos coisas para melhorar. E também hora de perdoar a si mesmo, não se culpar demais e tomar a demissão como um aprendizado, não como uma vergonha ou algo negativo”, orienta a consultora.

Assim como nos relacionamentos, criamos expectativas em relação à empresa e nos frustramos quando elas não se concretizam. É como se tivéssemos perdido tempo. Porém, Meiry pensa que a postura mais madura é controlar as emoções negativas e encarar tudo de forma racional. “Tente enxergar a situação pelo ponto de vista da empresa. Ela não tem o prazer de demitir alguém e, se o faz, é porque tem uma razão. Conhecer a verdade, refletir sobre ela e transformar essa experiência aparentemente negativa em algo positivo é uma forma crescer como pessoa e profissional”, finaliza.

 

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