ABRH Nacional: Por detrás da arrogância

Por detrás da arrogância

Por Meiry Kamia*

A arrogância vem do orgulho exacerbado, que é observada por meio da altivez no trato com as pessoas. Normalmente o olhar e o tom de voz denunciam a arrogância. Já o prepotente é aquele que se utiliza do poder para se sobressair ou para fazer valer a sua vontade. Mas tanto a arrogância quanto a prepotência podem ter a mesma origem: baixa estima. A autoestima é formada pela autoconsciência (conhecimento de si mesmo), autoconfiança, autorrespeito e amor próprio.

Todos nós temos uma imagem real (o que realmente somos) e uma imagem idealizada (o que gostaríamos de ser). A pessoa orgulhosa demais acaba se apegando na imagem que ela “gostaria de ser” e não na que “realmente é”. Talvez porque o que ela realmente é seja algo ruim para ela. Algumas experiências passadas podem ter deixado marcas negativas em sua autoestima, de modo que ela duvida de si mesma, de seu potencial, de sua inteligência e de sua beleza.

A baixa estima causa sentimentos de menos valia, rejeição, tristeza e angústia, e como é muito ruim lidar com tudo isso, por uma defesa inconsciente, a pessoa se apega à imagem que ela gostaria de ser – alguém melhor, mais sábio e mais inteligente. A arrogância afasta as pessoas, mas para quem tem baixa estima, esse distanciamento é considerado positivo porque traz a ilusão de que, a distância, as pessoas não verão o que ela tanto esconde: ela mesma.

O medo explica a forma rude que, muitas vezes, o arrogante trata as pessoas. O arrogante só está tentando se defender das próprias fantasias inconscientes e, em muitos casos, a melhor defesa é o ataque. Ao atacar ele só quer se certificar de que as pessoas realmente se manterão à distância, evitando assim o “desmascaramento”.

Não é à toa que a arrogância, vem acompanhada da prepotência, porque o inseguro precisa muito se proteger. Aliás, ele passa a maior parte do tempo pensando em como proteger a imagem criada, a manter as pessoas a distância de forma a não ser desmascarado, e confirmar seu poder impondo que as pessoas façam as suas vontades. O poder, nesses casos, é um grande aliado. E, num momento de defesa, “por que não usar o poder?” – pergunta-se o arrogante temeroso.

A dificuldade de lidar com o arrogante ocorre porque ele atinge o nosso próprio orgulho. Sim, só se sente ofendido quem também é orgulhoso, e o orgulhoso é mais propenso ao sentimento de orgulho ferido, é mais melindrado, fica mais chateado, e com mais raiva, do que aquele que possui autoestima equilibrada.

Por isso, seguem algumas dicas para lidar com pessoas arrogantes no trabalho:

1. Mostre que você está lá para ajudá-lo e não para competir;

2. Conquiste a confiança e dê feedbacks sempre que possível: lembre-se que feedback deve ser dado da seguinte forma: coloque os pontos positivos e informe, baseado em fatos observáveis, o comportamento que a pessoa teve e as consequências do mesmo. Por exemplo, “o fato de ter chamado a nossa equipe de incompetente durante a reunião gerou insatisfação geral e isso teve um impacto negativo no nosso rendimento”.

3. Observe a si mesmo e suas reações. Se você se sente ofendido com frequência, perceba se você também não está sendo vítima de seu próprio orgulho.  A pessoa com autoestima não se ofende com facilidade porque reconhece seu próprio valor e não toma agressões como sendo pessoais.

Após saber lidar com o arrogante, vale algumas dicas para não cair na armadilha da arrogância.

1. Desenvolva a autoconsciência: quanto mais a pessoa se conhece melhor é o ajuste entre a “imagem que gostaria de ser” e “o que você realmente é”.
 
2. Desenvolva a autoconfiança: a confiança em si mesmo é desenvolvida pela coerência entre o que se pensa e fala sobre si mesmo e o que realmente se faz.
Por exemplo, se ser uma pessoa determinada é algo positivo, você deve conseguir enxergar no dia a dia comportamentos que mostrem que você realmente é uma pessoa determinada.

3. Desenvolva o autorrespeito: conhecer as limitações é importante para saber até onde você aguenta determinada situação e se resguardar de um desgaste maior. Também é importante valorizar e respeitar aspectos positivos de si mesmo.

4. Ame a si mesmo: quem não tem amor por si mesmo, dificilmente terá amor para com o outro. Quem cobra muito de si, irá cobrar muito do outro. Aprenda a perdoar a si mesmo, pois assim será mais fácil tolerar e perdoar as dificuldades alheias.

 

*Meiry Kamia é diretora da Meiry Kamia – Consultoria, Treinamento e Desenvolvimento de Pessoas.