Vila Mulher entrevista Meiry Kamia: QUERO SAIR DA EMPRESA, E AGORA?

QUERO SAIR DA EMPRESA, E AGORA?

Atualmente é comum ver empresas com funcionários descontentes ou chefes que não os demitem para não pagarem seus direitos. Se a decisão de sair da empresa for do empregado, em tese o patrão deveria negar a proposta e pedir que o funcionário apresente a carta de demissão. Mas nessa hora surgem muitas dúvidas: será que vale a pena manter um funcionário descontente mesmo depois de demonstrar vontade de sair do trabalho?

Muitos empregadores acabam cedendo à pressão do trabalhador e o demitem através de um acordo.

Por isso, diversas empresas exigem que o trabalhador abra mão da multa de 40% do FGTS em troca da falsa demissão. Vale ressaltar que esta prática não encontra amparo legal e pode inclusive configurar crime.

O levantamento da consultoria DMRH mostra que a maioria dos profissionais, quando confrontados com uma proposta interessante, prefere ir para o novo desafio. Entre o total de desistentes de vagas contratadas pela DM Especialistas ao longo de 2011, somente 29,5% rejeitaram uma oferta por conta de contraproposta do empregador atual.

“Se você é o empregador, o ideal é se certificar de que o funcionário realmente está insatisfeito com o trabalho. O correto é chamar o funcionário para uma conversa franca. Comente que tem percebido algumas mudanças de comportamento e cite alguns exemplos. Pergunte se ele está com algum problema pessoal ou se o problema é com o trabalho. Tente fazer alguns ajustes ou busquem alternativas juntos para solucionar o problema para que ambos fiquem bem”, diz a psicóloga e palestrante Meiry Kamia.

Se você é o funcionário e está insatisfeito, antes de comentar com qualquer pessoa, ou de pedirdemissão de forma precipitada e emocional, Meiry pede que você siga essas dicas:

1) Identifique a causa da sua insatisfação.

2) Faça uma lista se for o caso.

3) Pense em formas objetivas de solucionar o problema.

4) Chame seu chefe para conversar e comente sobre suas insatisfações e sobre algumas possíveis soluções para os problemas.

Quando o empregador não necessita mais dos serviços do funcionário a melhor maneira é a demissão. Meiry explica: “É melhor demiti-lo e arcar com os gastos, sendo mais justo e correto. Não adianta manter o funcionário se ele não poderá ser benéfico para a empresa, não é bom para a própria empresa. O funcionário, por sua vez, também não poderá se desenvolver. Numa relação em que nenhum lado ganha, não há motivos para continuarem juntos.”

Algumas atitudes devem ser evitadas antes de optar pela demissão. “Evite as decisões emocionais, tanto por parte da empresa como do funcionário. A demissão é um processo que, caso o funcionário não esteja entregando os resultados esperados, a empresa deve chamá-lo para dar o feedback. O contrário também deve ocorrer”, diz a psicóloga.

A advogada trabalhista Janaina Canola acredita que mesmo o trabalhador estando insatisfeito, algumas regras devem ser mantidas. “O empregado não pode descumprir as obrigações de seu contrato de trabalho, sob pena de se sujeitar à penalidade mais grave existente no contrato de trabalho, ou seja, a dispensa por justa causa”, alerta.

E acrescenta: “O art. 482 da Consolidação das Leis do Trabalho é taxativo ao delimitar as hipóteses legais capazes de justificar a dispensa por justo motivo. Como exemplo podemos citar a desídia do empregado no desempenho de suas funções, conduta típica do trabalhador que não pretende permanecer na empresa, com atrasos constantes, faltas injustificadas, desleixo, desinteresse, todos os atos que demonstrem omissão do empregado na execução do serviço.”

Em meio a isso tudo, de um lado fica a demissão por justa causa e do outro a rescisão indireta. A advogada trabalhista explica cada um.

Quando ocorre a justa causa?

Caracteriza-se pela possibilidade de o empregador dispensar o empregado que comete uma falta grave. A CLT, em seu artigo 482 estabelece em quais hipóteses o empregador pode penalizar o trabalhador, dispensando-o por tal modalidade, imediatamente após a constatação da falta grave. Havendo a dispensa por justa causa, o empregado não terá direito ao aviso prévio, férias proporcionais, 13º salário, saque imediato do FGTS, multa de 40% sobre o FGTS e fornecimento das guias para recebimento do benefício do seguro-desemprego.

Quando ocorre a rescisão indireta?

Consiste no encerramento do contrato de trabalho por decisão do empregado, em virtude de justa causa praticada pelo empregador (artigo 483 da CLT). Porém, nesse caso, faz-se necessário ajuizar ação na Justiça do Trabalho, pleiteando a rescisão indireta de seu contrato de trabalho. Na rescisão indireta, se reconhecida judicialmente a falta do empregador, o empregado terá direito ao aviso prévio, férias proporcionais, 13º salário proporcional, saque imediato do FGTS, multa de 40% sobre o FGTS e fornecimento das guias, para recebimento do benefício do seguro-desemprego.

Disponível em: http://vilamulher.terra.com.br/quero-sair-da-empresa-e-agora-5-1-37-1194.html

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