Canal Rh: Sua Majestade, o currículo

Sua majestade, o currículo

08 de agosto de 2013

por Ana Paula Martins e Fabiano Lopes

Em épocas de Linkedin, redes sociais e sites voltados para a busca de empregos, o currículo segue soberano. “Ninguém tira a majestade dele. Independentemente da maneira como o recrutador chegou ao candidato, ele irá solicitar em algum momento o currículo para a análise”, afirma Meiry Kamia, mestre em Administração de Empresas e consultora Organizacional. Não existe fórmula mágica para preparar um currículo eficiente. Ter bom senso e reunir as informações com clareza é o segredo, afirma Vânia Cozzolino, diretora comercial da Talent Group, especializada em recrutamento e seleção.

Não mentir – em hipótese alguma – é a lição mais importante para montar o currículo, segundo especialistas. Fernando Paiva, gerente da Hays, consultoria também focada em recrutamento, explica que a mentira mais comum é sobre a fluência no inglês. “Muita gente acredita que essa é a primeira peneira e, por isso, exagera nessa habilidade para ao menos ser convocado para a entrevista”, diz. “A verdade é que, para muitos cargos, um inglês de nível médio é mais do que suficiente”, afirma ele. Para Vânia, da Talent, ser honesto é a melhor saída, sempre. “Bons recrutadores costumam checar informações sobre cursos, certificações e idiomas”, aponta.

Cezar Tegon, presidente da Elancers, endossa o coro contra as inverdades. “Caso consiga a vaga, o profissional deverá manter a mentira, o que é praticamente impossível e macula sua imagem”, defende. Omitir informações como datas em que permaneceu nos empregos anteriores, idade e instituição na qual estudou também é, segundo Tegon, uma péssima ideia. “O recrutador vai descobrir esses dados de outra forma e, aí, resgatar a confiança dele vai ser muito mais complicado”, destaca.

Parágrafos curtos 

Evitar transformar o currículo em autobiografia é outro ponto importante, já que muitas pessoas ainda julgam a quantidade de páginas um diferencial. “O currículo deve ser conciso e objetivo. Quando ele tem mais de duas páginas, o recrutador entende que o candidato não foi capaz de priorizar as informações mais importantes”, explica Vânia. Outra dica importante, de acordo com a especialista, é redigir parágrafos curtos, com cerca de duas linhas cada, e nunca utilizar abreviaturas ou códigos, que prejudicam a compreensão. Tegon alerta ainda para a importância de não colocar cursos fora do contexto profissional. “Legal que o candidato tenha feito algum curso como hobby, isso pode até surgir em uma entrevista e mostrar o quanto ele é eclético, mas inserir esse dado no currículo, jamais”.

Para a consultora Meiry, o hábito de enviar o mesmo currículo para diversas empresas não funciona. “É preciso que o documento seja elaborado de acordo com a vaga que se almeja”, afirma. É fundamental que o candidato tenha um objetivo e a partir dele busque vagas que condizem com essa meta, colocando no papel as competências e experiências que demonstrem que ele é a pessoa certa para alcançar essa possível vaga. “Enviar currículos para todo o tipo de oportunidade demonstra desespero, tem que ter foco”, recomenda. 

Outro cuidado muito importante é evitar erros de ortografia e gramática. “Erros como grafia e digitação são fatais para pretensões em qualquer empresa. Além disso, gerundismo, concordâncias nominais e verbais equivocadas também são muito comuns, até mesmo para candidatos de nível gerencial”, diz Vânia, da Talent. Para evitar erros básicos, além de atenção redobrada, Tegon, da Elancers, recomenda a utilização do corretor ortográfico. “Esse tipo de erro causa impressão de formação deficiente e evidencia falta de cuidado na elaboração do documento”, afirma.

Apresentar resultados alcançados sem nenhuma objetividade, como citações do tipo “responsável pela redução dos custos” ou “responsável pela melhoria da qualidade nos processos”, não impressionam, afirma Vânia. “Se você quer apresentar seus resultados, demonstre com fatos quantitativos”, explica. Para ela, exageros na formatação e no layout também podem comprometer a avaliação do currículo. “Fuja dos papéis perfumados ou coloridos e entenda que não há necessidade de anexar foto ao currículo – a menos que esteja se candidatando a uma vaga de modelo ou a alguma outra para a qual a imagem é essencial – e não coloque data de emissão, para evitar que o documento pareça velho”, destaca.

Incluir pretensão salarial ou os benefícios que gostaria de receber da futura empresa também não é recomendado. “Deixe informações dessa natureza para serem discutidas no momento oportuno, durante a entrevista”, recomenda Vânia. Dados como número do CPF, do RG e da carteira de motorista também devem ser evitados. “Eles serão solicitados futuramente. Você está enviando apenas seu currículo e não abrindo uma linha de crediário”, finaliza Tegon.

Dicas úteis

– Utilize a metade da primeira página do currículo para citar as principais conquistas e  habilidades.

– No início do currículo, inclua apenas nome, endereço (bairro, cidade e estado), telefones para contato (residencial e celular) e e-mail.

– Seja claro quanto ao objetivo, de forma consistente.

– Descreva as experiências profissionais em ordem cronológica: da atual para a mais antiga.

– Não exagere no detalhamento das atividades. Inclua o que fez e mostre os resultados, mas de forma muito objetiva.

– Tenha foco: evite encaminhar o currículo para múltiplas vagas.

– Não insira contatos de antigos gerentes como referência. Ninguém gosta de ser incomodado sem ser avisado previamente

Disponível em: http://www.canalrh.com.br/Mundos/recrutamento_artigo.asp?o=%7bF0AD1E67-3C70-4AE8-A6D2-9CBBDED31864%7d

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