O poder do NÃO nas relações cotidianas

O poder de NÃO nas relações cotidianas

Aprender a ouvir e dizer respostas de negação nos momentos decisivos traz maturidade e coragem para evitar abusos alheios

Postado em 28/07/2014 às 22:48 por Luana Gomes em Comportamento  |  0 Comentários

O dia a dia está cheio de obstáculos que precisam ser superados para que o próximo passo seja dado, mas talvez um dos maiores desafios seja saber a hora certa de dizer  NÃO! Quantas vezes estamos diante de situações em que precisamos responder uma negativa a alguém e travamos na hora? Essa dificuldade é mais comum do que se pensa, têm algumas explicações que podem nos fazer entender melhor essa situação.

Dentre os maiores medos do ser humano a rejeição é a que mais se destaca. É muito comum dizer sim, pela necessidade, muitas vezes, de agradar. Mesmo que a pessoa não mereça por ser abusivo, pedir demais e não fazer nada em troca, o medo de que nos virem as costas é grande.

A psicóloga e psicoterapeuta Karen Scavacini, afirma que tal questão está associada também à dificuldade de impor limites e de conhecer os próprios limites. “Pessoas com dificuldade em dizer não têm medo de magoar os outros ao colocar os seus limites. Elas também podem ter medo de decepcionar, de deixarem de ser amadas, como se o amor do outro estivesse atrelado ao fato de elas dizerem sim constantemente”, descreve.

Para o especialista em Psicopatologia João Carlos Baldan esse medo de dizer não vem das frustrações surgidas diante das exigências da sociedade para que o indivíduo se enquadre em padrões sociais, evitando assim a rejeição. “Para alimentar a necessidade de agradar aos outros, rompo com minhas fronteiras e limites – já que não consigo preencher as exigências do comportamento social ou disponho dos bens materiais para poder ser reconhecido pelo grupo”, diz.

Os desafios de dizer não aos filhos

O não dito hoje aos filhos, pode evitar problemas futuros. Foto: Thinkstock

As situações diárias colocam o indivíduo em constante desafio, pois há os momentos em que dizer o não é essencial, como na educação dos filhos. Crianças e adolescentes não costumam lidar bem com limites e detestam quando recebem uma negativa dos pais. A falta de tempo aos herdeiros faz com que muitos pais caiam no erro de não negar nada, pela culpa que sentem, mas podem estar cometendo um grande erro.

“Pais inseguros não conseguem estabelecer limites, pois temem que os filhos os deixem de amar. Entretanto, dizer ‘não’, muitas vezes, pode ser um ato de amor. Muitos jovens usam drogas porque, no fundo, é um pedido de socorro e uma forma de chamar a atenção. É como se dissessem: ‘Olhem para mim! Vou me lançar no precipício e vocês acham lindo? ’. Jovens precisam do não. Se os pais não conseguirem, talvez a policia acabe fazendo esse papel”, alerta Meiry Kamia, Diretora do Meiry Kamia – Consultoria, Treinamento e Desenvolvimento de Pessoas.

O não no ambiente profissional

Outro cenário temido para se posicionar é no trabalho. Muitos profissionais se sentem pressionados com o excesso de cobranças e tarefas vindas do chefe, mas não sabem como pôr um limite, pois o medo de serem vistos como incompetentes ou serem demitidos dominam mais que a coragem de se posicionar. Muitos precisam entender que dizer não e fazer os outros entenderem o porquê os fará pessoas de mais valor.

“No ambiente corporativo, dizer não é muito difícil, pois a competência está sendo observada e avaliada. Dizer não é muito mais difícil justamente pelo medo do que as pessoas podem pensar. Mas dizer sim e não conseguir realizar a tarefa demonstrará ainda mais a sua fragilidade. Faça seus colegas e líderes entenderem os reais motivos para seu não, e quando disser sim, mostre sua excelência!”, orienta o escritor e especialista em comportamento Alexandre Slivinik, autor do livro O Poder da Atitude.

As reações mais comuns ao não

É preciso aprender a dizer não e explicá-lo às pessoas. Foto: Thinkstock

Dizer ou ouvir a palavra NÃO toca de forma diferente as pessoas. Em alguns casos a pessoa sente necessidade em dizer sim a tudo, pois se sente insubstituível e necessária aos outros. Alguns por terem uma autoestima baixa e terem dificuldade de se aceitar, acreditam que as pessoas ao seu redor também não os aceitarão.

Alguns especialistas apontam a questão cultural como uma das formas de se entender como o indivíduo lida com o não. O psicopatologista João Carlos Baldan destaca que a educação dada pelos pais e pela escola nos ensina que devemos ser sempre bonzinhos e deve prevalecer a obediência e o sim, pois o não sempre provoca reações contrárias.

A psicóloga Meiry Kamia destaca que aceitar o não é complicado pela dificuldade que temos em colocar limites nos relacionamentos sejam amorosos ou profissionais. “Não saber dizer ‘não’ é ruim porque gera raiva. Cada ação feita contra a vontade gerará ressentimentos, rancor, tanto faz se da situação em si, da pessoa que solicitou como também raiva de si mesmo pela sensação de impotência e frustração”, diz Meiry Kamia.

Pessoas insubstituíveis e o não

Há uma visão de que existem pessoas que costumeiramente não dizem o NÃO, pois elas se sentem necessárias às outras pessoas e, por isso, precisam sempre ser positivas. Vendo desse jeito parece que elas agem assim de forma consciente o que, segundo uma especialista, não é bem assim.

“Muitas vezes elas não estão conscientes de que fazem dessa forma. Para algumas pessoas, ser insubstituível tem relação com ter controle, para outras é uma forma de se sentirem poderosas. Têm pessoas que só existem quando se sentem necessárias para os outros, então ser substituída é quase morrer. Acontece que todos somos únicos e insubstituíveis, pois cada um de nós têm o seu jeito singular e especial de ser”, finaliza a psicóloga e psicoterapeuta Karen Scavacini.

Disponível em: http://www.oestadorj.com.br/comportamento/o-poder-do-nao-nas-relacoes-cotidianas

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