TRABALHAR EM EQUIPE REQUER MATURIDADE

por Meiry Kamia

Todos nós sabemos que o trabalho em equipe é fundamental para o sucesso da empresa, porém também sabemos que existe uma longa distância entre o discurso e a prática.

Grande parte dos problemas de equipes gira em torno dos relacionamentos interpessoais. É comum observarmos: conflitos de interesse, conflitos de ideias, disputas de egos, birras, fofocas, esquivas de responsabilidades, etc.

Aprendemos desde pequenos a defendermos a nossa individualidade, desejos, ideias, necessidades, etc. Por um lado, isso é positivo porque demonstra boa autoestima, mas dependendo do grau, ligar-se demais às próprias necessidades em detrimento do grupo, pode causar sérios problemas quando o assunto é trabalho em equipe.

Saber trabalhar em equipe exige maturidade psicológica, e isso nada tem a ver com a idade cronológica. Da mesma forma como vemos uma criança fazendo birras quando sua mãe não pode lhe comprar um brinquedo, porque é incapaz de compreender que a mãe não tem dinheiro para esse gasto extra. Também é possível vermos adultos, até mesmo com idade avançada, fazendo birra quando sua ideia não é aceita, ou quando ouviu algum comentário desagradável. Atitudes individualistas ou egocêntricas também são observadas em falas do tipo “eu sou mais eu”, “não sou trouxa”, “cada um com seus problemas”, “isso não é comigo, é problema seu”, etc.

Pessoas imaturas psicologicamente, diante de impasses e conflitos, apresentam dificuldade em dialogar. Insistem em utilizar artifícios infantis, que trouxeram da infância, tais como a birra, o silêncio, o afastamento, maldizer pelas costas, etc, mas não percebem que tais recursos não são nem positivos, nem úteis, ao contrário, contaminam o clima da equipe e desvia a atenção das questões realmente importantes.

Somado à questão da imaturidade, ainda temos um traço cultural nacional brasileiro, que reforça o comportamento individualista. Tal traço cultural foi herdado do período escravocrata e reproduz as relações que envolviam o trabalho daquela época, que é o gosto por “tirar vantagem” das situações e relações em benefício próprio, e que está incluso no tal “jeitinho brasileiro”. Assim, aprendemos desde o período escolar a participar de grupos de trabalho apenas para ganhar nota e não para contribuir realmente. Nesse tipo de relação de trabalho, apenas o “nerd” trabalha enquanto que os “espertos” recebem a nota final. Ainda hoje, podemos ver tais comportamentos sendo reproduzidos nas equipes de trabalho das organizações.

A competitividade também é outro fator que trabalha contra a maré do trabalho em equipe. Esse traço é muito observado no mundo do futebol, em que o zagueiro do time é vangloriado, ganha um salário milionário, em detrimento do restante do time. Ou seja, a equipe toda executa o trabalho, mas apenas o esforço de um é reconhecido. Isso faz com que desejemos ser esse único. Portanto, competir torna-se o caminho para o sucesso. Há pessoas que ficam tão viciadas em competir que acabam levando esse comportamento para as relações pessoais, competindo até mesmo com o cônjuge, querem estar sempre certas e tendo uma necessidade de impor suas vontades o tempo todo.

Como podemos perceber o termo “trabalho em equipe” é, em algumas circunstâncias, algo “desejável” e não uma realidade. Para que as equipes possam funcionar bem é preciso mudar o paradigma, o modelo mental, do individualismo para o coletivismo, e investir em Maturidade.

Pessoas maduras são menos egocêntricas porque conseguem compreender que as outras pessoas são diferentes em suas histórias, crenças, valores, etc, e, portanto, com necessidades diferentes das suas.

Pessoas maduras buscam o bem comum e respaldam-se nas relações ganha-ganha. Ao passo que, na competição só há espaço para apenas um ganhador e os demais serão sempre perdedores. A cooperação traz o respeito mútuo e a necessidade de desenvolver habilidades de negociação, que significa saber abrir mão de uma parte do que deseja, e também lutar por suas necessidades, sem prejudicar o resultado em comum.

Ações de cooperação também elevam o espírito, despertando o desejo de fazer bem ao próximo, ajudar sem receber nada em troca, trazer benefícios para as pessoas e para o ambiente, a cooperação traz a consciência de que nós também somos “todo mundo”, portanto, ao fazer o bem aos demais, também beneficiamos a nós próprios.

Para desenvolver o espírito de cooperação, as empresas devem incentivar o diálogo, a discussão de ideias (não a disputa), trabalhos cooperativos, investir em treinamento em comunicação e habilidades sociais, etc. Com essas ações, as empresas criam condições favoráveis para o amadurecimento emocional de seus funcionários, e o resultado será sempre positivo, pois o desempenho da equipe será  sempre maior que a individualidade de cada componente.

MEIRY KAMIA – Palestrante, Psicóloga, Mestre em Administração de Empresas, Autora do livro “Motivação Sem Truques”. Ilusionista premiada como melhor mágica feminina da América Latina, pela Federação Latino-Americana de Sociedades Mágicas. Desenvolve palestras motivacionais ilustradas com mágicas e treinamentos diferenciados, aliando Teatro e Psicologia. Site: www.meirykamia.com; contatos: 11-2359-6553; [email protected]

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