COMO DESENVOLVER UMA CULTURA DE INOVAÇÃO NO VAREJO

*Por Meiry Kamia

De um lado, os lojistas se sentem pressionados com a concorrência que aumenta a cada dia e, de outro, a crise econômica que aperta cada vez mais. Nesse cenário, inovar constantemente passou a ser uma necessidade para a sobrevivência de muitas lojas que atuam no varejo.

 

Inovar no varejo significa, em primeiro lugar, entender as novas necessidades dos clientes e ajustar-se a elas, de forma a atrair, fidelizar, a fim de aumentar o faturamento. Nesse novo cenário, empresas que adotam políticas e uma cultura de inovação podem sair na frente, pois farão do processo de inovação algo permanente em suas empresas.

 

Entretanto, falar sobre inovação é muito mais fácil do que praticar inovação, isso porque todo processo de mudança acaba se deparando com uma força contrária chamada “resistência”. Grande parte da resistência ocorre por conta do medo da mudança, medo de errar, medo de fazer diferente. Isso porque toda empresa tem as suas certezas (crenças inconscientes) que determinam o modelo mental da empresa e, consequentemente, seus comportamentos.

 

Essas crenças estão baseadas nas histórias de sucesso da empresa e determinam a forma como a organização resolve seus problemas, seu modo de funcionamento, sua identidade, e pode ser percebida na famosa frase “ah, para que mudar? Isso sempre funcionou assim e sempre deu certo!”. Uma Cultura Organizacional pode se tornar um verdadeiro ‘passivo’ quando se torna empecilho para os processos de inovação, prejudicando a velocidade de adaptação da empresa às necessidades do mercado e até mesmo trazendo prejuízos relacionados à dificuldade de adaptação dos próprios funcionários aos novos processos propostos pela empresa.

 

Para adotar o princípio de inovação constante a empresa precisa realizar um trabalho de mudança de Cultura Organizacional. É um processo de longo prazo, mas os resultados podem ser vistos de imediato. Lembrando que a Cultura de uma empresa agrega as crenças mais profundas de uma organização, é preciso tempo para que a empresa reúna experiências positivas que funcionem como estimuladores para novos comportamentos de inovação. Nesse processo será reduzido o medo da mudança e incentivados os comportamentos de inovação em todos os colaboradores, de forma que, em longo prazo, inovação e melhoria de processos serão partes integrantes da identidade da empresa, e não algo a parte utilizado apenas quando necessário.

 

Veja a seguir algumas dicas do que pode ser feito para incentivar uma cultura da inovação em sua empresa.

  • REUNIÕES PERIÓDICAS DE BRAINSTORMING: nenhuma grande ideia nasce pronta. Funcionários devem ser ensinados e incentivados a pensar, oferecer e discutir ideias. Colaboradores brasileiros não estão acostumados a processos de brainstorming, portanto, são necessárias reuniões semanais, com tempo e temas determinados, para que as sessões virem hábito. Todos devem participar pensando e ofertando soluções práticas e úteis. Também devem ser incentivadas as discussões sobre as ideias, isso também ajudará os funcionários a não ficarem melindrados quando suas ideias sofrerem objeções. Deve ficar claro que o que se discute são ideias e não pessoas.

Para números grandes de funcionários, pode-se trabalhar por departamentos e ter representantes que participem de núcleos interdepartamentais para discutirem melhorias para a empresa como um todo.

Todas as contribuições podem se dar em qualquer área, pois deve-se ter em mente que, ao agilizar processos burocráticos e administrativos da empresa pode-se acelerar o atendimento ao cliente, a entrega dos materiais, reduzir erros e custos de processos.

Uma sugestão é discutir práticas existentes no mercado como o uso de redes sociais, e-commerce, uso de aplicativos para o comércio varejo, serviços de customização, parceria com marcas afins aos serviços oferecidos pela empresa, etc, e como esses recursos poderiam ser adaptados ao comércio.

  • INCENTIVO À PRÁTICA: uma cultura organizacional envolve os valores da empresa. Inovação deve ser incentivada e deve estar no discurso dos dirigentes e líderes da empresa de que é algo importante e que, portanto, é valorizado. Falar sobre inovação, trazer e discutir ideias fora das reuniões de brainstorming é uma forma de mostrar aos colaboradores de que essa é uma prática importante para a empresa.
  • INVESTIR EM TREINAMENTOS: Nem sempre o funcionário possui o hábito de ler e refletir sobre ideias. Investir em treinamentos para que o colaborador desenvolva habilidades importantes como iniciativa, leitura, discussão de ideias e cases, etc, é uma forma de “alimentar” os funcionários com informações, e práticas positivas e benéficas para a própria empresa. Lembre-se: pessoas dão o que tem para dar. Não é possível exigir algo que a pessoa não tem para oferecer.
  • PREMIAÇÕES: Criar programas de premiações é uma forma de valorizar o esforço do funcionário e incentivar novas ações de inovação.

 

Como vimos, desenvolver uma Cultura da Inovação não é um processo fácil, exige determinação e paciência. Mas se pensarmos que a capacidade de gerar novas ideias e se adaptar rapidamente ao mercado são habilidades que vieram para ficar, investir nessa cultura significa sair na frente dos concorrentes a curto, médio e longo prazo, garantindo a sustentabilidade da empresa.

 

*MEIRY KAMIA – Palestrante, Psicóloga, Mestre em Administração de Empresas, Consultora Organizacional, Graduanda em Teologia. Autora do livro “Motivação Sem Truques”. Também é ilusionista, premiada como melhor mágica feminina da América Latina, pela Federação Latino-Americana de Sociedades Mágicas. Desenvolve palestras motivacionais e treinamentos diferenciados, aliando Arte Mágica, Teatro e Psicologia. Site: www.meirykamia.com; contatos: 11-2359-6553; [email protected]