FELICIDADE DURANTE O EXPEDIENTE

FELICIDADE DURANTE O EXPEDIENTE

Motivação é essencial para encontrar alegria no trabalho

Gastrite, dor nos ombros, tensão, sinusite e dor de cabeça. A causa de todos os problemas que atordoavam a psicóloga Adriana Almeida era a mesma: a infelicidade no ambiente de trabalho. A decisão que ela tomou para resolver a situação foi drástica, pedir demissão, mas em tempos de desemprego em alta, há outras opções para mandar a tristeza embora da rotina do trabalho.
Segundo Meiry Kamia, psicóloga, mestre em Administração de Empresas e palestrante, a melhor delas é ter um propósito. “O estímulo de trabalhar o mês inteiro apenas pelo salário é superficial e acaba rápido. A motivação existe para aquele que tem consciência da sua função e responsabilidades”, diz. Para Meiry, compreender que o resultado do trabalho pode gerar benefícios para outras pessoas é uma das maneiras de conquistar esse incentivo.
No caso de Adriana, ela atuou por quase dez anos na área de recursos humanos de uma empresa, enquanto dava aulas em uma faculdade. A felicidade dela durava dois dias na semana, por apenas algumas horas. Foi aí que ela percebeu onde estava a motivação que a Meiry defende. “Pensei sobre a minha vida e constatei que a academia e a consultoria eram o meu caminho”, diz Adriana, que atualmente coordena a pós-graduação em Psicologia Organizacional da Universidade Salvador – Unifacs. 
Raiz do problema
A felicidade apenas nos finais de semana ou fora do expediente é um dos indícios que as coisas não estão indo bem. Para Gisele Siqueira, coach de desenvolvimento profissional, um dos fatores que influenciam isso é a falta de autoconhecimento. “Muitas vezes a gente acaba escolhendo empresas e profissões que não têm muito a ver com a gente. Durante um período dá até pra ser feliz, mas passam os dias e o domingo a noite passa a não ter a mesma motivação”, diz.
De acordo com Gisele, a coisa piora quando os valores do funcionário são diferentes dos da organização. A dica da coach é se manter em empresas “que respeitem o funcionário e que o trabalho tenha um propósito”. Adriana concorda e compara a abertura de uma vaga de emprego com um pedido de casamento. “Você não vai casar com quem não combina em nada. Cabe às empresas e aos candidatos selecionarem bem”.
 Dicas para não deixar a felicidade de lado na hora do trabalho
Autoconhecimento: Quando o profissional se conhece, ele sabe por quais motivos a felicidade não está aparecendo no ambiente de trabalho. Ter clareza pessoal ajuda a descobrir a raiz do problema.
Propósitos: Ter consciência da função dentro da organização e das suas responsabilidades é uma tarefa diária.
Valores: Quando o trabalhador não se enxerga nos valores da empresa, a tendência é que  fique infeliz. O ideal é escolher um trabalho que dialogue com os seus  princípios.
Fazer o que gosta: A premissa de que é preciso fazer o que se ama, quando o assunto é o trabalho, é um dos caminhos para encontrar a felicidade.
Exercícios: Corrida, musculação, Pilates ou qualquer atividade que traga uma sensação de bem-estar é uma forma de encarar os desafios do dia a dia.
Blindagem: O computador trava, o chefe é arrogante e os colegas,  fofoqueiros. Em um ambiente de caos, colocar um sorriso no rosto é uma forma de se blindar da má energia.
Motivação: Só pensar no salário ou no status não pode ser a razão para a felicidade. O ideal é se agarrar a algo mais filosófico, como os benefícios que o seu trabalho pode gerar para alguém.
Culpa: Algo foi cobrado e você não conseguiu alcançar. Observe se a culpa não é de uma má gestão ou falta de recursos, em vez de sua.
Da porta pra fora: O problema pode estar do lado de fora do trabalho. Mesmo que não tenha como separar as coisas, é importante ter essa percepção para não atribuir a culpa à parte errada.
Pessoas difíceis: Veja os colegas “difíceis” como um desafio a ser superado. Pense em como lidar com eles sem precisar de brigas. É possível.